quinta-feira, 26 de maio de 2011

Entrevista com Herculano Alencar




Nome: Herculano Duarte Ramos de Alencar

P - Onde nasceu?
R – Nasci em Piripiri, cidade do interior do Piauí.

P - Começou a escrever influenciada por quem?
R- Eu fiz um poema na adolescência, não recordo exatamente a idade, intitulado: “O Caboclo”. Um poema de cunho social, uma utopia pueril. Não consigo identificar uma influência específica, talvez do ar socialista que ventilava a minha casa. Depois, só voltei a escrever já nos últimos anos da Faculdade e quase sempre tendo como modelo o soneto “Contrição” de Bocage, apenas na forma, pois não tinha (e pouco tenho) domínio da métrica e tudo o mais.

P - Com que idade?
R – 14 anos, talvez.

P - Quem são os seus ídolos na literatura? Ou quem é seu autor de cabeceira?
R- Quase todos são poetas: Augusto dos Anjos e Bocage são os principais, mas gosto muito da sátira sutil de Saramago.

P - Você prefere poesias, contos, crônicas, novelas, ou qual outro gênero para ler?
R – Ficção, especialmente quando misturada com fatos e personagens da história.

P - E em qual deles fica mais a vontade para escrever?
R – Poesia.

P - Teve crises de largar tudo ou rasgar seus escritos?
R – Não, mas sempre que os leio, refaço.

P - Costuma ter inspiração pelo estado de espírito, por ler outros autores, ou por algum lugar ou situação?
R – Por todas as circunstâncias citadas na pergunta.

P - Tem o hábito de se levantar de madrugada para escrever se a inspiração convidar? Ou já teve?
R – Não, mas é comum que eu durma e acorde no dia seguinte com a idéia que me veio à cabeça.

P - Escreve em qualquer lugar (papel de pão, guardanapo, fila de banco, banheiro) quando uma idéia fica martelando?
R – Sim, só não consegui em papel higiênico (rss...)

P - Ganhou algum concurso? Qual?
R – Nunca participei de concursos.

P - Tem livros editados? Algum projeto em vista?
R – Não. Tenho projetos para dois livros.

P - Qual na sua opinião é seu melhor trabalho?
R – O que ainda vou fazer.

P - O que sente não ter realizado?
R – Um pedido de desculpa.

P - Qual o impacto dos e-grupos no campo da literatura ?
R – Uma porta de entrada democrática para novos talentos.

P - Até que ponto a Internet favoreceu a leitura/escritura ?
R – Até o ponto atual.

P - Poderíamos afirmar que as novas tecnologias contribuíram para o desenvolvimento de novos gêneros literários ?
R – Não tenho certeza se podemos chamar de novos gêneros literários, mas novas aventuras, sim.

P - Fale-nos um pouco do seu trajeto literário :
R- Eu sou um poeta em formação e assim pretendo ser até o fim. Faço e refaço tantos poemas que já nem sei qual é o original e o derivado.
“O Caboclo”, meu primeiro poema, acompanhou todas as mudanças da minha personalidade, perdeu e incorporou valores e caminha comigo para a aposentadoria.
Não posso dizer que tenho um “trajeto literário”, mas um rumo: não ter pudor de dizer-me poeta.

P - Usa algum método para escrever os seus poemas/prosas/contos ?
R – Nenhum método formal, mas tenho um paradigma: o título é conseqüência do conteúdo, portanto é o último verso a ser escrito.

P - Que conselho daria a alguém que deseje a vir ser escritor ?
R – Nunca se julgue completo.

Um poema de Herculano Alencar
Eu poeta, por mim mesmo

Poeta amador (literalmente)
eu sou, pois que escrevo por esporte.
Escrevo sobre a vida, sobre a morte...
e mais o que vier na minha mente.

Poeta, sou poeta, tão somente,
pois faço poesia "de ouvido".
Às vezes faço versos sem sentido...
aqui e ali... um verso inteligente!

Poeta amador (de curvo porte)
eu sou, já que a luz não deu-me a sorte
e arte não deixou-me a porta aberta.

Poeta amador eu tenho sido
e sei que inda serei, mas não duvido
que um dia alguém dirá que fui poeta.
Cula

Poderá ler alguns dos poemas de Herculano acessando http://recantodasletras.com.br/autor_textos.php?id=2228

Obrigada por nos conceder esta entrevista!

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Entrevista feita e elaborada por Angélica T. Almstadter com a colaboração de Cristina Pires
Membros do Grupo Ateneu

domingo, 8 de maio de 2011

Dia das mães!!!

Angélica T. Almstadter
 

Embora dia das mães seja todos os dias, alguém resolveu nos dar um dia especial que consta da folhinha, e do calendário de todas as lojas; para que os filhos pudessem gastar seu dinheirinho comprando um presente pra limpar a barra com a mamãe. Aqueles que não tem dinheiro para comprar nada abraçam beijam e dizem "eu te amo", mesmo que seja para cumprir tabela.
Não, eu não duvido que ame, mas quem disse que precisa dia para abraçar a mãe ou para dizer : eu te amo?
Nós mães fazemos isso todos os dias quando preparamos a comida, quando cuidamos com carinho de suas roupas para que fiquem limpinhas e cheirosas.
 
É claro que não precisa babar em volta da gente, nós percebemos o quanto tem de obrigação esses gestos exagerados nesse dia, mas não deixem por favor esse dia passar em branco, sem um telefonema, um gesto carinhoso, porque embora a gente insista em dizer: não precisava...Vamos ficar muito tristes se constatarmos que nossos filhos não dedicam a nós nem um minutinho do seu dia.
 Dificil entender as mães não é? Pois é, a gente fica tão sensível quando se diz que esse dia é só para as mães que acabamos por ficar derretidas, mesmo quando dizemos que isso é uma bobagem e que nosso dia é todos os dias.
 
O peso da data acabou por incorporar nosso calendário também porque para onde quer que olhamos vemos referências; seja no encarte do supermercado, nos autdoors, nas propagandas de tv e em todos os lugares possíveis se vê mães estampadas como garota propaganda!
 
Assim, se preciso mesmo de uma data para que notem a importância da minha existência como tal,  porque ficou tão banal receber de mão beijada todo conforto que posso proporcionar aos meus filhos; quero-o com toda pompa e honra que possa merecer.
Quero comida pronta, ou almoçar num bom restaurante onde haja comida limpinha e bem feita, como a minha, então filhos queridos nada de encher minha casa para o almoço! Antes que me joguem na cozinha cozinhando para um batalhão lembrem-se que o dia das mães é para dar alegria para essas míseras mortais e se eu disser que fico feliz nesse dia passando parte dele com a barriga no fogão e na pia, podem acreditar que minto, afinal faço isso o ano todo.
 
Já que a data está instituída, vou gozar dela como posso e quero, terei um dia só meu e não adianta quererem me colocar no molde de mamãe padrão. Estou indo curtir o meu dia das mães me divertindo por aí!
Estão rindo de quê? Se tivesse o dia dos filhos, o que vocês fariam?
Fui....
 

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Sonhos estridentes


Angélica T. Almstadter
 
Por que insistem em me acordar os sonhos?
Por que ainda me inquietam tanto?
Se deveriam me embalar risonhos;
Recostarem o corpo n'alma sem pranto!
 
Ah! Meus sonhos livres sem fronteiras!
Sacodem e  me atordoam o espírito,
Reviram as ilusões costumeiras,
Desassossegam o corpo contrito.
 
Presos a um  silêncio onírico,
Apascentariam a alma romântica;
Não fosse a razão avessa ao lírico.
 
Sonhos haverão dentro da quântica,
Onde a razão sempre vence o empírico?
Sonho e romantismo dirá a semântica!

canção concreta

a canção
cantada
forma
figura
da mulher
amada
ficando
formada
na letra
da canção
figurada
em forma
de canção
cantarolada


pastorelli